Cidadãos sem educação corroem a estrutura social. O indivíduo neste estado tem efeito duplamente danoso: não sustenta a estrutura social e destrói tal organização. Tal indivíduo só pode ser considerado cidadão do ponto de vista legal, más na prática não o é.
Qual a possibilidade de trabalharmos com educação sem termos a educação? Sem termos o respeito? E diante deste quadro...sem termos, então, a disciplina? Estamos carregando água na peneira, como diz um certo conto. Temos graves e básicos problemas não resolvidos, não estimulados a resolver e não obrigados a resolver.
Muitos jovens não têm muito interesse em estudar; eles têm muito mais a fazer em seu dever de diversão - e estão certos - as brincadeiras e divertimentos da juventude parecem muito mais interessantes a esmagadora maioria dos jovens. Más então o que fazer? Oras, se na juventude não aprendermos que na vida temos muitas obrigações, que adultos seremos no futuro? Adultos que não enxergam que temos a obrigação de zelar por nossa casa - a natureza, provedora de todos os recursos - zelar por nossa saúde e zelar pelo próximo, se for um inimigo de guerra pelo menos na medida do possível.
Afinal de contas, muitas guerras não são de interesse da comunidade, e sim do interesse de poucos preocupados com o petróleo, o ferro e outros recursos. Estes poucos que produzem alimentos cheios de agrotóxicos, más correm para pagar mais caro nos produtos orgânicos para proverem a si mesmo e aos seus familiares.
É urgente uma educação que não pode perder de vista os resultados. As metodologias podem ser muito discutidas: com mais ou menos liberdade para idéias próprias; com mais ou menos disciplina rígida ou maleável - agora o resultado não pode ser desprezado, o conteúdo não pode ser desprezado.
Pois vivemos neste desprezo, temos resultados alarmantes e que muito interessam àqueles que precisam de mão-de-obra barata e ignorante para lidarem com insumos agrícolas: fertilizantes industrializados e defensivos (leia-se venenos que ficam impregnados em frutos, verduras e legumes) sempre aumentando os índices de produtividade das comodites.
Os norte-americanos que são tão admirados aqui neste república, expulsaram o colonizador europeu ainda no século XVIII e um modelo baseado na pequena propriedade no início de sua história contribuiu para a formação de um mercado interno forte, pessoas trabalhando na própria terra, fortalecendo laços familiares e que foi muito importante na formação desse mercado interno grande e robusto.
Nossa sociedade necessita de cidadãos pilares fortes. A reforma agrária tão mal falada aqui nestas terras tem um papel chave para abrir a porta de um futuro promissor: com pequenas propriedades e pessoas que possam produzir ou se capitalizarem na venda de sua propriedade para migrar para as cidades e desenvolver outros setores.
Cidadão forte, pilar forte, sociedade forte.