O
educador é aquele que educa. A educação envolve muitos aspectos como, por
exemplo, o desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral; bem como
a cortesia e a polidez. O professor é aquele que ensina e ensinar significa
transmitir conhecimentos.
Vivemos um período aqui no Brasil de confusão entre esses dois
conceitos, entre essas duas práticas. O problema é grave. Não se pode
simplesmente cobrar das crianças e dos adolescentes a responsabilidade por uma
situação em que, claramente, são vítimas. As crianças e os adolescentes estão
no mundo para receberem educação e conhecimento, e neste processo começam a
educar e a produzir conhecimento também o que conduz ao processo de
amadurecimento para a vida adulta.
Temos
um grave problema que necessita de um rompimento. Existem muitos pais que já
vem sofrendo com um ensino enfraquecido desde a sua infância e lhes faltam
esclarecimentos para avaliarem situações e proporem soluções. A qualidade do
ensino nas escolas públicas decaiu demasiadamente entre as décadas de 60 e 80.
Os pais disputavam vagas nos colégios (antigo científico) públicos da mesma
forma que acontece hoje nas universidades públicas. Aqui nosso raciocínio sofre
uma bifurcação inevitável e temos de considerar as duas linhas paralelas,
vejamos os dois pontos a seguir:
·
Todos sabemos o que se passou no Brasil
entre os anos 60 e 80. O governo militar habilmente promoveu uma decadência na
qualidade do ensino público. É muito lógico do ponto de vista deles que com uma
estratégia de guerra foi atingir o alicerce da oposição: a força da juventude
esclarecida.
·
A queda na qualidade do ensino e uma
superlotação nas salas de aula que só aumenta (no estado de São Paulo em 2015
foram fechadas mais de 250 salas de aula para uma demanda cada vez maior)
apontam para um panorama de conflitos sociais entre pares que deveriam estar
unidos (os cidadãos). Essas pessoas que se tornaram pais no início do século
XXI, não sabem (salvo exceções) educar seus descendentes, seus filhos.
As
crianças estão entregues a uma realidade de falta de boas referências (a
realidade das drogas já está institucionalizada) e falta de respeito pelos mais
velhos, pelo seu semelhante, por si próprio e, consequentemente, por aqueles
que não estão de acordo. Os pais dessas crianças que tiveram uma infância de
privações acreditam que o máximo esforço de seu trabalho para proporcionar bens
matéria aos seus filhos é o exemplo de boa educação (é de dar pena ver pais com
roupas surradas comprando celulares e tablets modernos para crianças que
acreditam que equipamentos de trabalho não passam de brinquedos).
Consequentemente o problema só piora. O governo atual para angariar
votos promove a subsistência de famílias e cobra das crianças apenas a
frequência e não o aprendizado e o entendimento; sem formação não existe
desenvolvimento pessoal, não existe desenvolvimento profissional e nem
desenvolvimento social; é a mais pura e descarada exploração da pobreza. Para
piorar aqui no estado de São Paulo alunos são aprovados sem aprender, e não
venham colocar a culpa na escola não, pois, a demanda só aumenta e salas de
aula são fechadas, alunos com péssimos rendimentos entram com recursos nas
diretorias de ensino – e esses alunos que não provaram nada de aprendizagem
durante todo o ano e que entram com o recurso também não tem que provar nada; é
uma verdadeira inversão: o aluno ou seu responsável acusam uma indevida
reprovação e o ônus da prova cabe à defesa; um absurdo jurídico.
É
preciso esclarecer que a função e o compromisso primeiros da escola são com a
aprendizagem e a transmissão de conhecimento. A educação polida da gentileza e
do respeito se aprende no seio familiar e no convívio com parentes e amigos.
Enquanto as crianças frequentarem a escola para aprenderem boas maneiras a
aprendizagem do conhecimento das ciências, das artes e das línguas continuará
relegado para o segundo plano.
É
dever do estado garantir o desenvolvimento dos cidadãos para garantir a
educação das crianças que possam ter a chance de amadurecer com qualidade e
competência.
Dedicado à Silvia Aparecida Rezende Barreto (in
memoriam) socióloga combativa e corajosa (por vezes intransigente) que foi
corajosa até o último suspiro.