Nós não vivemos
um problema de falta de água, vivemos um problema de falta de vergonha na cara
dos governantes em diversos níveis.
Há muito as empresas de abastecimento
alertam os prefeitos e governadores sobre possíveis problemas com o
fornecimento de água. Os jornais têm noticiado graves vazamentos nos obsoletos
encanamentos em diversas cidades do Brasil desde o ano passado. Perdas de água
tratada em torno de 30% a 40%, dependendo do município, por vazamentos,
ligações clandestinas, roubos e falta de medição. A incompetência que não resolve
problemas de vazamento e a corrupção sua aliada que não pune as ligações
clandestinas, roubos e falta de medição estão na raiz do problema. Além das
perdas de água para o consumo também há perdas graves de informações para
projeções futuras sobre captação (oferta) e demanda (consumo). A famosa lei da
oferta e da procura (Adam Smith, século XVIII) e aqui no Brasil nós vivemos
problemas anunciados de oferta de água no século XXI !!
Recebemos uma propaganda diária sobre
economia de água e muito pouco incentivo econômico para tanto, somos
encorajados a construirmos cisternas e realmente é uma ótima solução ecológica
e econômica. Más esta semana as chuvas tão pedidas em São Paulo mais uma vez
causaram enchentes e prejuízos à propriedade privada por falta de obras do
poder público (prefeitura, governo estadual e federal que devem se planejar,
definir e dividir funções e executar as obras de preferência no período de
estiagem). Os rios poluídos transbordaram doenças, rios que deveriam servir
para matar a fome, através da pesca, de quem não tem alimento e que deveriam
proporcionar lazer e práticas esportivas como o remo e a natação por exemplo.
Muita chuva, muito prejuízo, muita água que poderia ser captada foi ignorada
(há décadas isso acontece) e torneiras secas. Faltou água na residência do Geraldo?
Faltou água no Palácio dos Bandeirantes? Qual o número de pessoas SOFREU com a
falta de água nos condomínios de luxo? E ainda acreditam que falta
água...lamentável. Esse é o poder da propaganda.
Soma-se a acomodação proporcionada
pela estiagem, com relação ao combate à dengue, com as chuvas acumuladas nos
últimos meses, mais o descaso de muitas prefeituras com relação ao lixo e mato
alto em terrenos e temos uma nova epidemia de dengue. Pessoas morrem; a
iniciativa privada e as empresas e órgãos públicos sentem os prejuízos com os
afastamentos por doença. As ações de conscientização, de nebulização e a
soltura de machos (geneticamente modificados de Aedes aegypti, para reduzir a reprodução deste vetor) só ganham
força quando estamos à beira da epidemia ou já dentro de um quadro de epidemia,
onde pessoas sofrem com a falta de atendimento, falta de leitos e falta de
sangue para transfusões. Historicamente aumentam os casos de dengue no período
de chuvas, más pessoas pagam com a vida e empresas pagam com prejuízos pela
incompetência do poder público em administrar ações periódicas, cíclicas e
anunciadas. O poder emana do povo na democracia e nós temos a obrigação de
fiscalizar e exigir que o nosso dinheiro seja bem gasto. Os governos NUNCA
tiveram dinheiro, somos nós que damos dinheiro ao governo (seja municipal,
estadual ou federal).
Água existe, vergonha na cara desses
políticos falta, preferem ouvir opiniões e tomar decisões políticas e não
técnicas. Garantir o abastecimento é um trabalho de prevenção e não de
emergência que possibilita obras sem licitações. Sejam honrados.